quinta-feira, 11 de julho de 2013
O angustiado Sortudo
Depois de passar por todos os tormentos de uma vida , o angustiado se deparou com uma encruzilhada ao morrer. Diante dos dois caminhos que deveria decidir cruzar, o angustiado não conseguiu chegar a um acordo. Pensou em cada um dos caminhos, o mais distante e o mais próximo. O angustiado sabia que um daqueles caminhos o levaria ao inferno, um lugar tenebroso e flamejante em chamas e torturas. O outro o levaria ao paraíso em que se encontra a felicidade e a tranquilidade. Afinal era o lugar onde o angustiado gostaria de estar. Alguns pensamentos surgiram na mente do sujeito: "Mas o paraíso não seria de difícil acesso?, mas também já sofri muito em minha vida que mereço percorrer o caminho mais próximo". Após pensar durante o dia inteiro, o angustiado se decidira e resolveu cruzar o caminho mais próximo. Mas antes de iniciar a cruzada, pensou novamente, decidindo percorrer o caminho mais distante. Chegara a uma conclusão: "Não é assim que deveria fazer. Na verdade, como ser humano mortal que fui, não estou seguindo os desígnios do 'Grande criador celeste'. Não é o caminho mais próximo que me levará ao céu. Nem mesmo agora que estou morto é que devo conquistar uma vida espiritual, não ganhá-la sem ao menos não ter me esforçado". Concluindo seu pensamento, o angustiado iniciou uma trajetória desafiadora pelo caminho mais distante. Podemos dizer que a sorte de nosso viajante estava justamente em não ter desistido de conquistar seu lugar no paraíso. Não foi um azar para o angustiado ter passado por tantos desafios em sua vida, mas uma amostra do valor que devemos nos dar em nossa vida. Somos pessoas de valor, não por sofrermos, muito menos por sermos pecadores (como a Bíblia nos ensina) . O nosso valor está no que somos, fazemos e acreditamos que seja a nossa principal realização vital. A vida nos traz diversos desafios, mas o fundamental não deveria ser a preocupação que temos com os nossos fracassos, decepções e frustrações. Mesmos o sofrimento pode nos motivar a alcançar um sentido em nossas vidas. Buscando realizar ações que nos realize do ponto de vista do sentido de nossa existência. O sentido que o angustiado buscou e realizou foi percorrer o caminho mais distante com vistas à alcançar o paraíso. Responder às perguntas que a vida nos traz é que nos possibilita realizar nossa vontade de sentido. Ao final da trajetória árdua, o angustiado finalmente pode descansar em paz, já que buscou um sentido no que realizava. O sofrimento o possibilitou dar um sentido ao seu existir. Não vamos desistir de lutar mesmo com os percaussos da trajetória que percorremos.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Reviravoltas da Vida
Imagine-se passando por profundas mudanças em sua vida. Imagine-se vivendo tudo novamente. Não é uma reviravolta? Mudanças ocorrem e, muitas vezes, não tomamos consciência das transformações que ocorrem em nosso existir. Foi assim que senti durante vários anos, mais especificamente 27 anos de meu existir. Não prestava atenção ao que me ocorria enquanto ser humano, muito menos me permitia passar por mudanças em minha maneira de viver. Minhas relações se configuravam de tal forma que não necessitava de alterações significativas. Não que eu me sentia incomodado, muito menos triste e desesperado. Mas que, durante todos esses anos, não era consciente das mudanças que me ocorriam. Posso dizer que as mudanças foram e continuam a ser significativas para meu existir. Faz três anos e pouco que me descobri enquanto homem e adulto que sou. Foram momentos de grande dor e sofrimento que me levaram a ver que a minha vida pode ser diferente. Não sabia e ainda não sei o que significa ter prazer, fazer o que gosto e o que eu desejo para mim. Intelecto em si mesmo não me realizava. A vida é muito mais do que uma mente que pensa e que reflete o tempo inteiro. Posso me permitir vivenciar pequenos prazeres sem culpa e sem sofrimento, já que não levarei dessa existência nada além daquilo que vivenciei e vivencio a cada momento de minha vida no mundo.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Solidão: uma tarefa necessária
Em tempos de
incessante transformação tecnológica e de rápido fluxo de informações, pessoas
e ideais, temos cada vez mais a sensação de que não precisamos do outro para
nos tornarmos mais completos e inteiros. Há alguns anos, víamos na
constituição de uma família ou de grupos uma forma de aplacarmos a nossa falta
e nosso desamparo enquanto sujeitos em relação, enquanto humanos que somos. A
pós-modernidade não proporcionou apenas avanços, mas também trouxe em seu
desenvolvimento um dos principais fatores com que o ser humano se depara no
decorrer de seu existir: a solidão.
Teorias que enfatizam o
sujeito em relação, anteriormente, eram privilegiadas. Mas, no momento atual, o
que se tem visto é o fato de que cada vez mais nos encontramos sozinhos e
angustiados. As teorias que surgiram nos momentos iniciais do século XX e XXI
enfatizam o papel e a importância dos relacionamentos para o
desenvolvimento pessoal. Mas, agora, essas mesmas abordagens não são vistas
como suficientes para entendermos como o ser humano lida com as mudanças
constantes da vida em sociedade e pessoal. Temos visto cada vez mais pessoas
solitárias e infelizes e que não se sentem competentes para estabelecerem
relações com outras pessoas.
Do ponto de vista
existencial, podemos dizer que ser livre é uma das condições principais do
humano. Liberdade para escolhermos nosso destino enquanto seres no mundo que
somos. Como decorrência de uma condição de liberdade surge um dos sentimentos
mais comuns de todo e qualquer sujeito, ou seja, nos sentimos angustiados. A
angústia, assim como a liberdade, faz parte de nossa condição de seres livre e
que somos “jogados” na vida. Diversos modelos teóricos acabam por negar o fato
de que o ser humano é angústia, em outras palavras, negamos o fato de que nascemos
e morremos sozinhos.
O que podemos apreender através do que
acabamos de expor é que, mesmo que neguemos o contato com nossa
interioridade e com o nosso próprio eu ,
não há como nos desvencilharmos de nossa solidão. Precisamos ter o “nosso ócio criativo”
ou o nosso momento de solidão em que transcendemos a nosso momento presente
temos a possibilidade nos tornarmos mais criativos e produzirmos cada vez mais.
Relacionamentos em que cada um se encontra com o outro em sua inteireza e sem a
necessidade uma fusão ou complementaridade com demais sujeitos são mais
significativos se comparados às formas de relação estabelecidas socialmente e
tidas como um ideal de toda e qualquer pessoa.
terça-feira, 13 de março de 2012
Moderna Tecnologia
Como gostaria de me livrar de toda a moderna tecnologia humana, pois tudo o que consegui até agora foi apenas uma ilusão, um grande engano. Sinto-me traído por toda essa tecnologia humana. O que ouve com as relações humanas? Como poderei me livrar de tudo isso? Sou um sujeito que se encontra perdido em todo esse caldeirão da modernidade e em que já não há mais relações. Antigamente não precisávamos de computadores, msns e facebooks, além de tablets entre outros inventos da tecnologia humana. Apenas líamos e escutávamos rádios. A nossa imaginação era o recurso mais poderoso a que recorríamos aos no relacionar com a vida, com as pessoas e com o mundo. Hoje o que nos sobre? Apenas um computador cheio de fios e conexões? E as redes de relações humanas que suponhamos serem mais verdadeiras e espontâneas? Enfim, nem sabemos como agir, pensar, em que acreditar, desejar e almejar. Sinto-me um sujeito virtual e sem referências concretas. O solo fértil me foi retirado e como farei para brotar nessa terra tão infértil, tão improdutivo?
Pensando mais concretamente, o que poderei fazer diante do mundo da tecnologia é me adaptar, mas sem que seja passivo e dependente. Posso dizer que desejo muito romper com essa realidade de fios e conexões, começando a partir desse escrito em que me desabafo. Não sou um sujeito moderno e computadorizado. Posso ser antiquado, mas gosto de usar minha imaginação com recurso par me relacionar.
Pensando mais concretamente, o que poderei fazer diante do mundo da tecnologia é me adaptar, mas sem que seja passivo e dependente. Posso dizer que desejo muito romper com essa realidade de fios e conexões, começando a partir desse escrito em que me desabafo. Não sou um sujeito moderno e computadorizado. Posso ser antiquado, mas gosto de usar minha imaginação com recurso par me relacionar.
Amarras de um existir:
Como me sinto livre das amarras em que a vida me prendera. Como penso hoje o quanto já estive preso e limitado ao conforto das amarras dessa vida que não me escapa. Não me escapa nenhum segundo, pois carrego o fardo de ter de continuar a viver cada vez, cada vez mais. Digo isso tudo apenas para expressar o quanto é difícil passar toda a minha e todo o meu existir preso aos limites da vida que Deus me proporcionou e ainda me proporciona. Não escrevo com o intuito de reclamar de minha vida, pois vivo relativamente bem de saúde, de parte financeira e de cuidados de entes queridos, no caso minha mãe. Perdi meu pai já faz quase três anos, mas sei que ele está próximo de todos nós. Tenho um irmão que é meu amigo e uma mãe maravilhosa. Apesar das nossas brigas, procuramos viver em harmonia. O que, na verdade, me prende e me amarra é o fardo de ter de carregar um peso durante todo o meu existir. Sou também um sujeito limitado fisicamente e uso cadeira de rodas para me locomover, mas nem é isso que me prende e me amarra. Na verdade, é o fardo de ter de lutar para conquistar um espaço na vida das outras pessoas. Vejo hoje com é difícil conquistar um espaço no coração, na mente e na vida dos outros, mas sei que cabe a eu conquistar o espaço que me é caro. Sou limitado quanto ao fato de amar, gostar de alguém e ser um interesse para as demais pessoas, mas sei que posso me desprender dessas amarras que me impedem de ser e sentir-me mais solto, livre e um Homem comum.
domingo, 11 de março de 2012
reflexão
" O futuro da tecnologia ameaça destruir tudo o que é humano no homem, mas a tecnologia não atinge a loucura: e nela então o humano do homem se refugia"
Clarice Lispector
Clarice Lispector
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Nossa Vida
assim é a vida
nos envolvemos muito com uma relação
é como se fossemos um só com a pessoa amada
até bichos amamos
e sofremos quando perdemos
quando pensamos que tudo vai dar errado, esquecemos que podemos mudar nosso rumo
e fazer dar certo
valer a pena viver
por isso ficar no nosso conforto é muito fácil
mas nos faz sofrer mais ainda
somos confrontados com nossos próprios sentimentos
que não nos damos conta do que é mais essencial em nossa vida
ter amor pela vida que nos foi dada
ter respeito pelo que nos foi concedido
toda uma obra a ser escrita
basta que nos esforçemos para escrever da forma com conseguimos
essa mesma obra
sabemos que nascemos e que morremos
o que fazer diante desse fato?
ficarmos sentados ou buscarmos viver nossas vidas?
somente nos aventurarmos no mistério da existência
criarmos e não apenas nos relacionarmos
para sermos felizes
fica esse questionamento para pensarmos
pois é nossa vida
não é?
nos envolvemos muito com uma relação
é como se fossemos um só com a pessoa amada
até bichos amamos
e sofremos quando perdemos
quando pensamos que tudo vai dar errado, esquecemos que podemos mudar nosso rumo
e fazer dar certo
valer a pena viver
por isso ficar no nosso conforto é muito fácil
mas nos faz sofrer mais ainda
somos confrontados com nossos próprios sentimentos
que não nos damos conta do que é mais essencial em nossa vida
ter amor pela vida que nos foi dada
ter respeito pelo que nos foi concedido
toda uma obra a ser escrita
basta que nos esforçemos para escrever da forma com conseguimos
essa mesma obra
sabemos que nascemos e que morremos
o que fazer diante desse fato?
ficarmos sentados ou buscarmos viver nossas vidas?
somente nos aventurarmos no mistério da existência
criarmos e não apenas nos relacionarmos
para sermos felizes
fica esse questionamento para pensarmos
pois é nossa vida
não é?
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