assim é a vida
nos envolvemos muito com uma relação
é como se fossemos um só com a pessoa amada
até bichos amamos
e sofremos quando perdemos
quando pensamos que tudo vai dar errado, esquecemos que podemos mudar nosso rumo
e fazer dar certo
valer a pena viver
por isso ficar no nosso conforto é muito fácil
mas nos faz sofrer mais ainda
somos confrontados com nossos próprios sentimentos
que não nos damos conta do que é mais essencial em nossa vida
ter amor pela vida que nos foi dada
ter respeito pelo que nos foi concedido
toda uma obra a ser escrita
basta que nos esforçemos para escrever da forma com conseguimos
essa mesma obra
sabemos que nascemos e que morremos
o que fazer diante desse fato?
ficarmos sentados ou buscarmos viver nossas vidas?
somente nos aventurarmos no mistério da existência
criarmos e não apenas nos relacionarmos
para sermos felizes
fica esse questionamento para pensarmos
pois é nossa vida
não é?
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
UMA HISTÓRIA DE TANTO AMOR
Era uma vez uma menina que observava tanto as galinhas que lhes conhecia a alma e os anseios íntimos. A galinha é ansiosa, enquanto o galo tem angústia quase humana: falta-lhe um amor verdadeiro naquele seu harém, e ainda mais tem que vigiar a noite toda para não perder a primeira das mais longínquas claridades e cantar o mais sonoro possível. É o seu dever e a sua arte. Voltando às galinhas, a menina possuía duas só dela. Uma se chamava Pedrina e a outra Petronilha.
Quando a menina achava que uma delas estava doente do fígado, ela cheirava embaixo das asas delas, com uma simplicidade de enfermeira, o que considerava ser o sintoma máximo de doenças, pois o cheiro de galinha viva não é de se brincar. Então pedia um remédio a uma tia. E a tia: “Você não tem coisa nenhuma no fígado”. Então, com a intimidade que tinha com essa tia eleita, explicou-lhe para quem era o remédio. A menina achou de bom alvitre dá-lo tanto a Pedrina quanto a Petronilha para evitar contágios misteriosos. Era quase inútil dar o remédio porque Pedrina e Petronilha continuavam a passar o dia ciscando o chão e comendo porcarias que faziam mal ao fígado. E o cheiro debaixo das asas era aquela morrinha mesmo. Não lhe ocorreu dar um desodorante porque nas Minas Gerais onde o grupo vivia não eram usados assim como não se usavam roupas íntimas de nylon e sim de cambraia. A tia continuava a lhe dar o remédio, um líquido escuro que a menina desconfiava ser água com uns pingos de café — e vi¬nha o inferno de tentar abrir o bico das galinhas para administrar-lhes o que as curaria de serem galinhas. A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas: tanto o homem como a galinha têm misérias e grandeza (a da galinha é a de pôr um ovo branco de forma perfeita) inerentes à própria espécie. A menina morava no campo e não havia farmácia perto para ela consultar.
Outro inferno de dificuldade era quando a menina achava Pedrina e Petronilha magras debaixo das penas arrepiadas, apesar de comerem o dia inteiro. A menina não entendera que engor¬dá-las seria apressar-lhes um destino na mesa. E recomeçava o trabalho mais difícil: o de abrir-lhes o bico. A menina tornou-se grande conhecedora intuitiva de galinhas naquele imenso quintal das Minas Gerais. E quando cresceu ficou surpresa ao saber que na gíria o termo galinha tinha outra acepção. Sem notar a seriedade cômica que a coisa toda tomava:
— Mas é o galo, que é um nervoso, é quem quer! Elas não fazem nada demais! e é tão rá¬pi¬do que mal se vê! O galo é quem fica procurando amar uma e não consegue!
Um dia a família resolveu levar a menina para passar o dia na casa de um parente, bem longe de casa. E quando voltou, já não existia aquela que em vida fora Petronilha. Sua tia infor¬mou:
— Nós comemos Petronilha.
A menina era uma criatura de grande capacidade de amar: uma galinha não corresponde ao amor que se lhe dá e no entanto a menina continuava a amá-la sem esperar reciprocidade. Quando soube o que acontecera com Petronilha passou a odiar todo o mundo da casa, menos sua mãe que não gostava de comer galinha e os empregados que comeram carne de vaca ou de boi. O seu pai, então, ela mal conseguiu olhar: era ele quem mais gostava de comer galinha. Sua mãe percebeu tudo e explicou-lhe:
— Quando a gente come bichos, os bichos ficam mais parecidos com a gente, estando assim dentro de nós. Daqui de casa só nós duas é que não temos Petronilha dentro de nós. É uma pena.
Pedrina, secretamente a preferida da menina, morreu de morte morrida mesmo, pois sem¬pre fora um ente frágil. A menina, ao ver Pedrina tremendo num quintal ardente de sol, embru¬lhou-a num pano escuro e depois de bem embrulhadinha botou-a em cima daqueles gran¬des fogões de tijolos das fazendas das minas-gerais. Todos lhe avisaram que estava apressando a morte de Pedrina, mas a menina era obstinada e pôs mesmo Pedrina toda enrolada em cima dos tijolos quentes. Quando na manhã do dia seguinte Pedrina amanheceu dura de tão morta, a menina só então, entre lágrimas intermináveis, se convenceu de que apressara a morte do ser querido.
Um pouco maiorzinha, a menina teve uma galinha chamada Eponina.
O amor por Eponina: dessa vez era um amor mais realista e não romântico; era o amor de quem já sofreu por amor. E quando chegou a vez de Eponina ser comida, a menina não ape¬nas soube como achou que era o destino fatal de quem nascia galinha. As galinhas pareciam ter uma pré-ciência do próprio destino e não aprendiam a amar os donos nem o galo. Uma galinha é sozinha no mundo.
Mas a menina não esquecera o que sua mãe dissera a respeito de comer bichos amados: comeu Eponina mais do que todo o resto da família, comeu sem fome, mas com um prazer qua¬se físico porque sabia agora que assim Eponina se incorporaria nela e se tornaria mais sua do que em vida. Tinham feito Eponina ao molho pardo. De modo que a menina, num ritual pagão que lhe foi transmitido de corpo a corpo através dos séculos, comeu-lhe a carne e bebeu-lhe o san¬gue. Nessa refeição tinha ciúmes de quem também comia Eponina. A menina era um ser fei¬to para amar até que se tornou moça e havia os homens.
LISPECTOR, CLARICE. Uma História de Tanto Amor. In Felicidade
Clandestina Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998
Quando a menina achava que uma delas estava doente do fígado, ela cheirava embaixo das asas delas, com uma simplicidade de enfermeira, o que considerava ser o sintoma máximo de doenças, pois o cheiro de galinha viva não é de se brincar. Então pedia um remédio a uma tia. E a tia: “Você não tem coisa nenhuma no fígado”. Então, com a intimidade que tinha com essa tia eleita, explicou-lhe para quem era o remédio. A menina achou de bom alvitre dá-lo tanto a Pedrina quanto a Petronilha para evitar contágios misteriosos. Era quase inútil dar o remédio porque Pedrina e Petronilha continuavam a passar o dia ciscando o chão e comendo porcarias que faziam mal ao fígado. E o cheiro debaixo das asas era aquela morrinha mesmo. Não lhe ocorreu dar um desodorante porque nas Minas Gerais onde o grupo vivia não eram usados assim como não se usavam roupas íntimas de nylon e sim de cambraia. A tia continuava a lhe dar o remédio, um líquido escuro que a menina desconfiava ser água com uns pingos de café — e vi¬nha o inferno de tentar abrir o bico das galinhas para administrar-lhes o que as curaria de serem galinhas. A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas: tanto o homem como a galinha têm misérias e grandeza (a da galinha é a de pôr um ovo branco de forma perfeita) inerentes à própria espécie. A menina morava no campo e não havia farmácia perto para ela consultar.
Outro inferno de dificuldade era quando a menina achava Pedrina e Petronilha magras debaixo das penas arrepiadas, apesar de comerem o dia inteiro. A menina não entendera que engor¬dá-las seria apressar-lhes um destino na mesa. E recomeçava o trabalho mais difícil: o de abrir-lhes o bico. A menina tornou-se grande conhecedora intuitiva de galinhas naquele imenso quintal das Minas Gerais. E quando cresceu ficou surpresa ao saber que na gíria o termo galinha tinha outra acepção. Sem notar a seriedade cômica que a coisa toda tomava:
— Mas é o galo, que é um nervoso, é quem quer! Elas não fazem nada demais! e é tão rá¬pi¬do que mal se vê! O galo é quem fica procurando amar uma e não consegue!
Um dia a família resolveu levar a menina para passar o dia na casa de um parente, bem longe de casa. E quando voltou, já não existia aquela que em vida fora Petronilha. Sua tia infor¬mou:
— Nós comemos Petronilha.
A menina era uma criatura de grande capacidade de amar: uma galinha não corresponde ao amor que se lhe dá e no entanto a menina continuava a amá-la sem esperar reciprocidade. Quando soube o que acontecera com Petronilha passou a odiar todo o mundo da casa, menos sua mãe que não gostava de comer galinha e os empregados que comeram carne de vaca ou de boi. O seu pai, então, ela mal conseguiu olhar: era ele quem mais gostava de comer galinha. Sua mãe percebeu tudo e explicou-lhe:
— Quando a gente come bichos, os bichos ficam mais parecidos com a gente, estando assim dentro de nós. Daqui de casa só nós duas é que não temos Petronilha dentro de nós. É uma pena.
Pedrina, secretamente a preferida da menina, morreu de morte morrida mesmo, pois sem¬pre fora um ente frágil. A menina, ao ver Pedrina tremendo num quintal ardente de sol, embru¬lhou-a num pano escuro e depois de bem embrulhadinha botou-a em cima daqueles gran¬des fogões de tijolos das fazendas das minas-gerais. Todos lhe avisaram que estava apressando a morte de Pedrina, mas a menina era obstinada e pôs mesmo Pedrina toda enrolada em cima dos tijolos quentes. Quando na manhã do dia seguinte Pedrina amanheceu dura de tão morta, a menina só então, entre lágrimas intermináveis, se convenceu de que apressara a morte do ser querido.
Um pouco maiorzinha, a menina teve uma galinha chamada Eponina.
O amor por Eponina: dessa vez era um amor mais realista e não romântico; era o amor de quem já sofreu por amor. E quando chegou a vez de Eponina ser comida, a menina não ape¬nas soube como achou que era o destino fatal de quem nascia galinha. As galinhas pareciam ter uma pré-ciência do próprio destino e não aprendiam a amar os donos nem o galo. Uma galinha é sozinha no mundo.
Mas a menina não esquecera o que sua mãe dissera a respeito de comer bichos amados: comeu Eponina mais do que todo o resto da família, comeu sem fome, mas com um prazer qua¬se físico porque sabia agora que assim Eponina se incorporaria nela e se tornaria mais sua do que em vida. Tinham feito Eponina ao molho pardo. De modo que a menina, num ritual pagão que lhe foi transmitido de corpo a corpo através dos séculos, comeu-lhe a carne e bebeu-lhe o san¬gue. Nessa refeição tinha ciúmes de quem também comia Eponina. A menina era um ser fei¬to para amar até que se tornou moça e havia os homens.
LISPECTOR, CLARICE. Uma História de Tanto Amor. In Felicidade
Clandestina Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
A lucidez perigosa
Clarice Lispector
(Ucrânia, 1925 - Brasil, 1977)
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa actual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
(Ucrânia, 1925 - Brasil, 1977)
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa actual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Aspectos Teóricos dos Papéis: Contribuições trazidas por J.L.Moreno
Conforme a perspectiva moreniana o sujeito, ao longo de sua constituição enquanto um ser social e em relação com outros sujeitos e de seu próprio eu, passa por diversas transformações do ponto de vista dos papéis que se configuram anteriormente ao surgimento desse mesmo Eu. Segundo Moreno, todo humano não se encontra sozinho, mas em relação com outros humanos. Neste sentido, o autor desenvolve toda uma teoria acerca do desenvolvimento da identidade e da tomada, desempenho e criação dos papéis, além de enfatizar o caráter humano de ser espontâneo e criativo. A teoria dos papeis trazida por Moreno considera a importância de se olhar para a forma como o sujeito, em seus contatos com o mundo que o cerca e com as demais pessoas em seu entorno, desempenha os papéis que lhe são designados no decorrer de sua trajetória existencial.
Anteriormente ao surgimento do eu, os papéis se constituíram. Essa constituição se dá através de aspectos coletivos sejam normas sociais, scripts entre outros comportamentos que são esperados por parte do sujeito que ainda situa-se no ventre de sua mãe. Aspectos da subjetividade do indivíduo e de sua relação íntima com seu primeiro ego-auxiliar, no caso sua mãe ou cuidadora, também contribuem para o desenvolvimento dos papéis do sujeito. O primeiro universo ou a placenta social na qual o sujeito nasce constitui sua Matriz de Identidade. Inicialmente, corresponde a um universo em que não há distinção entre o sujeito, o mundo e as demais pessoas. O que possibilita ao recém nascido um contato com essa nova realidade concreta são os papéis que esse novo humano passa a desempenhar.
De acordo com Moreno (1997, p.206), “o papel pode ser definido como as formas reais e tangíveis que o eu adota”. Como a própria definição já diz, todo papel apresenta-se com algo concreto e com realidade própria ao sujeito. Além disso, não há papel sem sua relação com um contra-papel, ou seja, para que um papel seja adotado por um eu, torna-se necessário que haja uma interação complementar com outro papel, em especial o contra-papel de ego auxiliar inicial e com posterior reconhecimento do próprio eu. Um papel, para ser desempenhado, precisa de um ator e este também depende dos papéis para realizar sua existência. Ao se cristalizar a totalidade das situações em uma área operações pela qual o sujeito passou pode-se dizer que há a configuração de um papel (MORENO, 1997).
Além das duas definições anteriores, Moreno destaca outras definições mais em termos de atuação em contextos psicodramáticos, sociais e individuais como, por exemplo, sujeitos imaginários que um autor dramáticos criam, modelos para a existência ou função assumida por alguém em termos de realidade social entre outras. Mas autores recentes também contribuíram com suas definições acerca do que é um papel. Rubini (1995) descreve as principais definições de papel trazidas pelos contemporâneos de Moreno, além de descrever a origem etimológica da própria palavra papel. Segundo descreve Rubini (idem), o termo papel surge do latim medieval rotulus. Esta pode significar uma folha enrolada que contém algo escrito ou aquilo que o ator deve recitar em uma peça de teatro. Posteriormente, surgem outros significados tais como função social, profissão etc.
O autor ainda considera um aspecto referente ao papel. “Em relação ao teatro, todo papel necessita de um ator e todo ator tem um papel a desempenhar” (RUBINI, 1995, p.1). Essa afirmativa está de acordo com a exposição anterior de Moreno acerca do conceito de papel. O termo “papel” designado por Moreno advém do teatro que, anteriormente, carecia de uma realização e pleno exercício da espontaneidade e criatividade. O teatro espontâneo corresponde a uma forma de ruptura com os antigos moldes do teatro convencional adotado até então. Em conformidade com o caráter espontâneo-criador do ser humano, Moreno define papel levando em consideração a produção espontânea de cada autor e ator que entra em cena durante as dramatizações.
Quando nasce o sujeito, o primeiro contato que é estabelecido com o mundo se dá através do corpo e de suas sensações físicas e fisiológicas as quais esse mesmo sujeito ainda não toma consciência de sua ocorrência, mas, que estando presentes, precisam ser satisfeitas. A matriz de identidade começa a ser constituída ainda nos primeiros estágios de vida do indivíduo. Após iniciar um reconhecimento do próprio eu e do tu na relação, o indivíduo passa a constituir as bases psicológicas para desempenhar os papeis. Além de um reconhecimento do próprio eu, do mundo ao seu redor e do outro, um período preparatório para o que posteriormente se considera como inversão de papéis. O sujeito primeiro reconhece a existência de outra pessoa para depois se por no ponto de vista desta última.
Anteriormente ao surgimento do eu, os papéis se constituíram. Essa constituição se dá através de aspectos coletivos sejam normas sociais, scripts entre outros comportamentos que são esperados por parte do sujeito que ainda situa-se no ventre de sua mãe. Aspectos da subjetividade do indivíduo e de sua relação íntima com seu primeiro ego-auxiliar, no caso sua mãe ou cuidadora, também contribuem para o desenvolvimento dos papéis do sujeito. O primeiro universo ou a placenta social na qual o sujeito nasce constitui sua Matriz de Identidade. Inicialmente, corresponde a um universo em que não há distinção entre o sujeito, o mundo e as demais pessoas. O que possibilita ao recém nascido um contato com essa nova realidade concreta são os papéis que esse novo humano passa a desempenhar.
De acordo com Moreno (1997, p.206), “o papel pode ser definido como as formas reais e tangíveis que o eu adota”. Como a própria definição já diz, todo papel apresenta-se com algo concreto e com realidade própria ao sujeito. Além disso, não há papel sem sua relação com um contra-papel, ou seja, para que um papel seja adotado por um eu, torna-se necessário que haja uma interação complementar com outro papel, em especial o contra-papel de ego auxiliar inicial e com posterior reconhecimento do próprio eu. Um papel, para ser desempenhado, precisa de um ator e este também depende dos papéis para realizar sua existência. Ao se cristalizar a totalidade das situações em uma área operações pela qual o sujeito passou pode-se dizer que há a configuração de um papel (MORENO, 1997).
Além das duas definições anteriores, Moreno destaca outras definições mais em termos de atuação em contextos psicodramáticos, sociais e individuais como, por exemplo, sujeitos imaginários que um autor dramáticos criam, modelos para a existência ou função assumida por alguém em termos de realidade social entre outras. Mas autores recentes também contribuíram com suas definições acerca do que é um papel. Rubini (1995) descreve as principais definições de papel trazidas pelos contemporâneos de Moreno, além de descrever a origem etimológica da própria palavra papel. Segundo descreve Rubini (idem), o termo papel surge do latim medieval rotulus. Esta pode significar uma folha enrolada que contém algo escrito ou aquilo que o ator deve recitar em uma peça de teatro. Posteriormente, surgem outros significados tais como função social, profissão etc.
O autor ainda considera um aspecto referente ao papel. “Em relação ao teatro, todo papel necessita de um ator e todo ator tem um papel a desempenhar” (RUBINI, 1995, p.1). Essa afirmativa está de acordo com a exposição anterior de Moreno acerca do conceito de papel. O termo “papel” designado por Moreno advém do teatro que, anteriormente, carecia de uma realização e pleno exercício da espontaneidade e criatividade. O teatro espontâneo corresponde a uma forma de ruptura com os antigos moldes do teatro convencional adotado até então. Em conformidade com o caráter espontâneo-criador do ser humano, Moreno define papel levando em consideração a produção espontânea de cada autor e ator que entra em cena durante as dramatizações.
Quando nasce o sujeito, o primeiro contato que é estabelecido com o mundo se dá através do corpo e de suas sensações físicas e fisiológicas as quais esse mesmo sujeito ainda não toma consciência de sua ocorrência, mas, que estando presentes, precisam ser satisfeitas. A matriz de identidade começa a ser constituída ainda nos primeiros estágios de vida do indivíduo. Após iniciar um reconhecimento do próprio eu e do tu na relação, o indivíduo passa a constituir as bases psicológicas para desempenhar os papeis. Além de um reconhecimento do próprio eu, do mundo ao seu redor e do outro, um período preparatório para o que posteriormente se considera como inversão de papéis. O sujeito primeiro reconhece a existência de outra pessoa para depois se por no ponto de vista desta última.
Caminhar para a Vida:
Caminho, caminho e caminho
Ando por aí e nada encontro
Não sei o que esperar, o que encontrar
Meus passos são as marcas que deixo
Pelo caminho encontro obstáculos
Muitos obstáculo a minha frente
Caminho áridos e tortuosos
Mas e a recompensa?
Essa é bem maior do que eu pensava ser
Assim é a vida: um caminhar rumo ao desconhecido
Uma passagem que se abre à minha visão
Ando por aí e nada encontro
Não sei o que esperar, o que encontrar
Meus passos são as marcas que deixo
Pelo caminho encontro obstáculos
Muitos obstáculo a minha frente
Caminho áridos e tortuosos
Mas e a recompensa?
Essa é bem maior do que eu pensava ser
Assim é a vida: um caminhar rumo ao desconhecido
Uma passagem que se abre à minha visão
Afinal como podemos ser felizes?
O que é afinal a felicidade se nem ao menos não sabemos o que significa o próprio termo "felicidade"?
Buscamos a felicidades naquilo que, nem sempre, nos traz momentos de felicidade. Parando para pensar, não existe uma felicidade em termos concretos e absolutos. Consiste em um conceito criado pelo humano em um contexto social, histórico e cultural. Cada sociedade traz uma definição própria para esse fenômeno abstrato e com múltiplos significados. A sociedade ocidental atribui a felicidade a uma busca cada vez mais intensa pela felicidade nas relações com outras pessoas. Aquelas pessoas que não conseguem manter relacionamentos ou que, de alguma forma, nunca se relacionaram com outras pessoas, conforme a enfâse de um meio social individualista, consumista e de aparências e que mesmo assim traz o discurso da "igualdade, fraternidade, liberdade, paz e felicidade",sao tidas como doentes, infelizes e acabam sendo marginalizadas por essa mesma sociedade atual. Vamos refletir mais um pouco. Não precisamos necessariamente de um relacionamento amoroso e afetivo para nos realizarmos enquanto pessoas. Basta retomar diversos feitos de figuras que foram surgindo ao longo da história humana. Atingiram outros estados da consciência de si mesmos e não foram menos felizes por isso. O que se pode concluir é que até mesmo relações não tão íntimas nos levam a entrarmos em contato com nosso próprio eu e com a existência. Pense nessaa idéia
Buscamos a felicidades naquilo que, nem sempre, nos traz momentos de felicidade. Parando para pensar, não existe uma felicidade em termos concretos e absolutos. Consiste em um conceito criado pelo humano em um contexto social, histórico e cultural. Cada sociedade traz uma definição própria para esse fenômeno abstrato e com múltiplos significados. A sociedade ocidental atribui a felicidade a uma busca cada vez mais intensa pela felicidade nas relações com outras pessoas. Aquelas pessoas que não conseguem manter relacionamentos ou que, de alguma forma, nunca se relacionaram com outras pessoas, conforme a enfâse de um meio social individualista, consumista e de aparências e que mesmo assim traz o discurso da "igualdade, fraternidade, liberdade, paz e felicidade",sao tidas como doentes, infelizes e acabam sendo marginalizadas por essa mesma sociedade atual. Vamos refletir mais um pouco. Não precisamos necessariamente de um relacionamento amoroso e afetivo para nos realizarmos enquanto pessoas. Basta retomar diversos feitos de figuras que foram surgindo ao longo da história humana. Atingiram outros estados da consciência de si mesmos e não foram menos felizes por isso. O que se pode concluir é que até mesmo relações não tão íntimas nos levam a entrarmos em contato com nosso próprio eu e com a existência. Pense nessaa idéia
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
uma nova possibilidade para tratar distrofia
Estudo ajuda a entender ação terapêutica de células-tronco
Diversos estudos científicos mostram que o tratamento com células-tronco adultas obtidas da medula óssea e do tecido adiposo pode, muitas vezes, atenuar ou mesmo reverter sinais e sintomas de algumas doenças crônicas, incluindo as distrofias musculares. No Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, uma pesquisa realizada pelo fisioterapeuta Carlos Hermano da Justa Pinheiro apresenta resultados inéditos que ajudam a compreender como ocorre essa melhora no quadro clínico.
Pinheiro estudou camundongos geneticamente modificados para apresentarem distrofia muscular de Duchenne, doença genética causada pela deficiência na produção da distrofina, proteína muito importante para a célula muscular esquelética, pois mantêm a integridade da membrana celular. “Nosso estudo constatou que a aplicação de célula-tronco mesenquimal [um tipo de célula-tronco adulta] influencia diretamente no mecanismo que rege a inflamação no músculo com distrofia, diminuindo a mesma. E isto parece estar mais associado à melhora no quadro clínico do que a diferenciação das células-tronco em células musculares esqueléticas”, revela o pesquisador.
Pacientes com distrofia muscular são suscetíveis a lesões induzidas por atividade contrátil. Eles nascem sem nenhuma lesão aparente. À medida que vão se desenvolvendo, a musculatura começa a degenerar-se e vai sendo preenchida por tecido fibroso (fibrose) com consequente perda na função muscular. “O quadro inflamatório crônico no músculo distrófico tem efeito negativo para a massa muscular levando à atrofia. É como se o músculo esquelético envelhecesse precocemente devido a sucessivas tentativas de reparo do tecido danificado”, conta. “Dentre as estratégias terapêuticas promissoras para distrofia está o rejuvenescimento do microambiente muscular por meio da terapia gênica para aumento da formação de novos vasos sanguíneos no músculo distrófico”, explica. Terapia gênica é a inserção de genes no tecido visando suprir deficiências.
Na pesquisa de Pinheiro, foi observado que os animais tratados com células-tronco apresentaram aumento da formação de novos vasos sanguíneos, redução na formação de tecido fibroso, diminuição da inflamação muscular e preservação da massa e da força muscular.
Segundo o fisioterapeuta, a grande pergunta envolvendo esta questão é: “As células-tronco injetadas no músculo esquelético se diferenciam em células musculares esqueléticas ou exerceriam também alguma outra função local no tecido muscular distrófico?”. De acordo com o fisioterapeuta, muitos estudos já demonstraram que as células-tronco adultas restauram a expressão de distrofina em modelos experimentais de distrofia muscular. “Porém, o mecanismo que leva à melhora clínica poderia envolver outros efeitos das células-tronco além da formação de novas fibras musculares sem a deficiência que resulta na distrofia”, contextualiza.
Tratamento com células-tronco
A média de vida de camundongos gira em torno de dois anos. Os que foram usados na pesquisa, camundongos mdx, apresentavam grande comprometimento da produção de força muscular entre 6 e 12 meses de vida. “Foi nesse período que investigamos o efeito do tratamento com células-tronco mesenquimais nos animais distróficos”. Pinheiro utilizou um sistema de avaliação da função muscular (produção de força muscular dos animais) onde a inervação e a circulação sanguínea estão preservadas.
O pesquisador trabalhou com células-tronco obtidas do tecido adiposo de outros camundongos sem distrofia, que foram isoladas e cultivadas. “Trabalhamos com células-tronco mesenquimais pois elas podem ser isoladas de tecidos específicos como medula óssea, tecido do cordão umbilical e tecido adiposo. Neste último caso é fácil obter material proveniente de lipoaspiração.”
Pinheiro realizou vários experimentos, trabalhando com grupos que variaram de 8 a 12 animais. Foram aplicadas 4 injeções de células-tronco, uma vez por semana, durante 4 semanas. As aplicações foram realizadas dentro do músculo gastrocnêmio, que fica na região conhecida como “batata da perna”. Em humanos, esse músculo é importante para a postura em pé e para marcha; nos animais, para o impulso da passada. Na outra pata dos camundongos, foi aplicado placebo. Após uma semana do final do experimento, o pesquisador avaliou a função contrátil do músculo esquelético que recebeu as injeções de células-tronco, assim como do músculo da outra pata (que não recebeu as células) e as comparou com animais sem distrofia muscular.
“Nos animais que receberam injeções de células-tronco foi constatado que a perda da função muscular era insignificante quando comparado aos animais sem distrofia. Detectamos um aumento do conteúdo de marcadores de regeneração muscular, indicando formação de tecido muscular novo. Entretanto, esse aumento foi bem discreto diante da grande melhora observada na função muscular, sugerindo o envolvimento de outros mecanismos”, revela o pesquisador. “O aumento desses marcadores poderia ter sido ocasionado por duas razões: as células-tronco aplicadas se transformaram em células musculares esqueléticas, ou elas acabaram por estimular a regeneração espontânea do tecido muscular. Então resolvemos investigar esses achados”, relata.
Efeito na inflamação
Nesta investigação, Pinheiro constatou que, nos músculos tratados com células-tronco, alguns marcadores inflamatórios, como o conteúdo de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-alfa e interleucina-6) e as espécies reativas de oxigênio (EROs), estavam diminuídos. Também houve aumento de citocinas anti-inflamatórias (interleucinas 4 e 10). O fisioterapeuta constatou ainda maior conteúdo de macrófagos M1, que “limpam” a área inflamada e soltam substâncias que vão ajudar a reparar o tecido lesado. “Essas células do sistema imune são importantíssimas para a regeneração do músculo esquelético, pois aceleram esse processo”, comenta. Houve também uma redução no conteúdo de TGFB1 (fator de crescimento transformante b1), que sinaliza para os fibroblastos proliferarem e acelerarem a formação do processo fibrótico.
Ao mesmo tempo, foi verificado um aumento do conteúdo do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que, ao ser liberado no músculo, estimula o crescimento de novos vasos sanguíneos. “Na distrofia muscular de Duchenne, o efeito terapêutico do aumento de VEGF no músculo esquelético é bem demonstrado por meio da terapia gênica”, conta o fisioterapeuta. De acordo com o pesquisador, esses resultados podem auxiliar na compreensão do efeito terapêutico das células-tronco mesenquimais.
Um artigo sobre o tema, Local Injections of Adipose-Derived Mesenchymal Stem Cells Modulate Inflammation and Increase Angiogenesis Ameliorating the Dystrophic Phenotype in Dystrophin-Deficient Skeletal Muscle, foi publicado na edição de agosto da revista Stem Cell. A pesquisa do fisioterapeuta, que é bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), tem orientação do professor Rui Curi, do ICB, e previsão de defesa em 2012.
Mais informações: (11) 3091-7245 ou email chjpinheiro@gmail.com, com Carlos Hermano da Justa Pinheiro
Por Valéria Dias / Agência USP de Notícias
Diversos estudos científicos mostram que o tratamento com células-tronco adultas obtidas da medula óssea e do tecido adiposo pode, muitas vezes, atenuar ou mesmo reverter sinais e sintomas de algumas doenças crônicas, incluindo as distrofias musculares. No Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, uma pesquisa realizada pelo fisioterapeuta Carlos Hermano da Justa Pinheiro apresenta resultados inéditos que ajudam a compreender como ocorre essa melhora no quadro clínico.
Pinheiro estudou camundongos geneticamente modificados para apresentarem distrofia muscular de Duchenne, doença genética causada pela deficiência na produção da distrofina, proteína muito importante para a célula muscular esquelética, pois mantêm a integridade da membrana celular. “Nosso estudo constatou que a aplicação de célula-tronco mesenquimal [um tipo de célula-tronco adulta] influencia diretamente no mecanismo que rege a inflamação no músculo com distrofia, diminuindo a mesma. E isto parece estar mais associado à melhora no quadro clínico do que a diferenciação das células-tronco em células musculares esqueléticas”, revela o pesquisador.
Pacientes com distrofia muscular são suscetíveis a lesões induzidas por atividade contrátil. Eles nascem sem nenhuma lesão aparente. À medida que vão se desenvolvendo, a musculatura começa a degenerar-se e vai sendo preenchida por tecido fibroso (fibrose) com consequente perda na função muscular. “O quadro inflamatório crônico no músculo distrófico tem efeito negativo para a massa muscular levando à atrofia. É como se o músculo esquelético envelhecesse precocemente devido a sucessivas tentativas de reparo do tecido danificado”, conta. “Dentre as estratégias terapêuticas promissoras para distrofia está o rejuvenescimento do microambiente muscular por meio da terapia gênica para aumento da formação de novos vasos sanguíneos no músculo distrófico”, explica. Terapia gênica é a inserção de genes no tecido visando suprir deficiências.
Na pesquisa de Pinheiro, foi observado que os animais tratados com células-tronco apresentaram aumento da formação de novos vasos sanguíneos, redução na formação de tecido fibroso, diminuição da inflamação muscular e preservação da massa e da força muscular.
Segundo o fisioterapeuta, a grande pergunta envolvendo esta questão é: “As células-tronco injetadas no músculo esquelético se diferenciam em células musculares esqueléticas ou exerceriam também alguma outra função local no tecido muscular distrófico?”. De acordo com o fisioterapeuta, muitos estudos já demonstraram que as células-tronco adultas restauram a expressão de distrofina em modelos experimentais de distrofia muscular. “Porém, o mecanismo que leva à melhora clínica poderia envolver outros efeitos das células-tronco além da formação de novas fibras musculares sem a deficiência que resulta na distrofia”, contextualiza.
Tratamento com células-tronco
A média de vida de camundongos gira em torno de dois anos. Os que foram usados na pesquisa, camundongos mdx, apresentavam grande comprometimento da produção de força muscular entre 6 e 12 meses de vida. “Foi nesse período que investigamos o efeito do tratamento com células-tronco mesenquimais nos animais distróficos”. Pinheiro utilizou um sistema de avaliação da função muscular (produção de força muscular dos animais) onde a inervação e a circulação sanguínea estão preservadas.
O pesquisador trabalhou com células-tronco obtidas do tecido adiposo de outros camundongos sem distrofia, que foram isoladas e cultivadas. “Trabalhamos com células-tronco mesenquimais pois elas podem ser isoladas de tecidos específicos como medula óssea, tecido do cordão umbilical e tecido adiposo. Neste último caso é fácil obter material proveniente de lipoaspiração.”
Pinheiro realizou vários experimentos, trabalhando com grupos que variaram de 8 a 12 animais. Foram aplicadas 4 injeções de células-tronco, uma vez por semana, durante 4 semanas. As aplicações foram realizadas dentro do músculo gastrocnêmio, que fica na região conhecida como “batata da perna”. Em humanos, esse músculo é importante para a postura em pé e para marcha; nos animais, para o impulso da passada. Na outra pata dos camundongos, foi aplicado placebo. Após uma semana do final do experimento, o pesquisador avaliou a função contrátil do músculo esquelético que recebeu as injeções de células-tronco, assim como do músculo da outra pata (que não recebeu as células) e as comparou com animais sem distrofia muscular.
“Nos animais que receberam injeções de células-tronco foi constatado que a perda da função muscular era insignificante quando comparado aos animais sem distrofia. Detectamos um aumento do conteúdo de marcadores de regeneração muscular, indicando formação de tecido muscular novo. Entretanto, esse aumento foi bem discreto diante da grande melhora observada na função muscular, sugerindo o envolvimento de outros mecanismos”, revela o pesquisador. “O aumento desses marcadores poderia ter sido ocasionado por duas razões: as células-tronco aplicadas se transformaram em células musculares esqueléticas, ou elas acabaram por estimular a regeneração espontânea do tecido muscular. Então resolvemos investigar esses achados”, relata.
Efeito na inflamação
Nesta investigação, Pinheiro constatou que, nos músculos tratados com células-tronco, alguns marcadores inflamatórios, como o conteúdo de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-alfa e interleucina-6) e as espécies reativas de oxigênio (EROs), estavam diminuídos. Também houve aumento de citocinas anti-inflamatórias (interleucinas 4 e 10). O fisioterapeuta constatou ainda maior conteúdo de macrófagos M1, que “limpam” a área inflamada e soltam substâncias que vão ajudar a reparar o tecido lesado. “Essas células do sistema imune são importantíssimas para a regeneração do músculo esquelético, pois aceleram esse processo”, comenta. Houve também uma redução no conteúdo de TGFB1 (fator de crescimento transformante b1), que sinaliza para os fibroblastos proliferarem e acelerarem a formação do processo fibrótico.
Ao mesmo tempo, foi verificado um aumento do conteúdo do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que, ao ser liberado no músculo, estimula o crescimento de novos vasos sanguíneos. “Na distrofia muscular de Duchenne, o efeito terapêutico do aumento de VEGF no músculo esquelético é bem demonstrado por meio da terapia gênica”, conta o fisioterapeuta. De acordo com o pesquisador, esses resultados podem auxiliar na compreensão do efeito terapêutico das células-tronco mesenquimais.
Um artigo sobre o tema, Local Injections of Adipose-Derived Mesenchymal Stem Cells Modulate Inflammation and Increase Angiogenesis Ameliorating the Dystrophic Phenotype in Dystrophin-Deficient Skeletal Muscle, foi publicado na edição de agosto da revista Stem Cell. A pesquisa do fisioterapeuta, que é bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), tem orientação do professor Rui Curi, do ICB, e previsão de defesa em 2012.
Mais informações: (11) 3091-7245 ou email chjpinheiro@gmail.com, com Carlos Hermano da Justa Pinheiro
Por Valéria Dias / Agência USP de Notícias
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