terça-feira, 10 de janeiro de 2012

estar sozinho

O que é estar sozinho? Como é estar sozinho? Sentir-se sozinho? Como se pode ficar sozinho?
Temos tantas perguntas, mas nenhuma resposta. Sequer nenhuma resposta para a nossa condção de termos de lidar com nossa solidão. Se pararmos para refletir e nos questionarmos sobre o período de tempo em que entramos em contato com nós mesmos, ou seja, quanto tempo de nossas vidas paramos o que estamos fazendo e dispomos para entrar em contato com nossa interioridade. A maioria das pessoas nem se quer tem noção do quanto é fundamental nos deixar levar em alguns momentos por nossa solidão, nosso contato com nós mesmos, com o nosso EU interior. Social e culturalmente falando, há a idéia de que a vida sem relacionanentos íntimos carece de sentido e é causa de adoecimento, mas o que ocorre na verdade, é a busca incessante e cada vez mais desenfreada de relações afetivas, amorosas e sexuais que visam evitar o contato com nós mesmos e com a nossa solidão.
O trabalho já não mais é visto como fonte de reconhecimento, aceitação e satisfação. Pelo contrário, é um aspecto da vida que perdeu seu verdadeiro significado: dignificar o ser humano, dar sentido à vida de cada pessoa, mesmo que sem a presença de uma intimidade com outros sujeitos. Não que amor, sexo e afeto não sejam importante, mas que estes mesmos aspectos não encubram o espaço da solidão que cada um de nós dispõe em sua rotina diária. Precisamos reconhecer que a vida é um todo e que há espaço para realizarmos cada tarefa de nossa existência, inclusive estarmos sozinhos com nosso próprio EU. Muitas correntes do pensamento moderno consideram de forma demasiada a importância dos relacionamentos e do vínculos mais íntimos para a felicidade e satisfação dos desejos, além da realização pessoal.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Dia 14/11/2011

Quando perdemos nossos mestres e nos encontramos diante de uma escuridão. Escuridão esta que nos traz um questionamento: O que faço em minha vida sem você? Diante desse questionamento nos encontramos diante de outras tantas dúvidas que surgem diante de nós ao longo do caminho pela sombra e escuridão que nos encontramos. Apegamos-nos facilmente a figura de nossos mestres, a sua existência concreta e a presença física e material. Na verdade, a perda de um ente querido nos traz o desafio de sentir a falta concreta desse mesmo ente querido, o que não é fácil de ser enfrentado. O que nos resta são apenas as lembranças, os ensinamentos e a saudade, além da falta do mestre que nos deixou repentinamente. Mais do que apenas obras materiais, nossos mestres deixam marcas profundas em nosso ser, em nossa essência enquanto seres humanos. Em muitos momentos, nos sentimos desesperados, impotentes e imóveis, pois nosso objeto de amor e afeição não está aqui para nos apoiar, incentivar e nos trazer confiança.
Mas daí vem uma forte motivação para continuarmos a viver, pois ainda não chegou nosso momento de partir dessa vida concreta. Mesmo estando longe de nós, nossos mestres se encontram perto de nossos corações e através de nossas memórias e daqueles que fizeram parte da vida desse mesmo ente que partiu. As lembranças ruins estão presentes sim, mas não podem nos endurecer perante a vida, aos outros e ao mundo que nos cerca. A existência não deveria estar vinculada a dimensão da vida física, mas a todas as outras formas de se considerar a nossa realidade. Disse tudo isso com o intuito de relembrar com muito carinho e consideração com relação ao meu pai e mestre Antônio Ricardo Micheloto. O senhor foi muito mais do que um mestre e ainda é para mim mais do que a existência. Você ainda é tudo para a nossa vida e nunca irei te esquecer. Não me esqueci de suas brincadeiras e de seus momentos de sono frente à televisão, seu sorriso quando reuníamos com nossos tios, primos outros parentes, além de sua calma quando conversava e lia jornais frente a varanda.
Abraços de Otávio meu Velho.

sábado, 29 de outubro de 2011

Caminho de uma Alma

Uma alma vagava no mundo espiritual e encontrou dois caminhos, um da escuridão e outro da luz. Perguntou a si mesmo: qual caminho escolho diante de mim? Não sabia qual a resposta, o que fazer, como escolher nem qual caminho desejava atravessar. Nesses momentos de escolhas às vezes impossíveis e angustiantes, as almas ficam perdidas em meio aos caminhos e às trajetórias que as aguardam. Não foi diferente no caso daquela alma. Ela se encontrava entre duas escolhas, um era a luz e a outra a escuridão. Afinal, todos nós nos encontramos diante dos opostos em diversos momentos de nossas vidas. A alma não queria ter de escolher e nós também não queremos decidir. Uma idéia veio à mente da alma: jogar-se na sorte e arriscar o caminho da escuridão, pois acreditava que a iluminação era fácil demais, além de corresponder a um risco dessa mesma alma se perder, não buscar o sentindo de sua verdadeira existência enquanto espírito. O caminho da escuridão representa o mistério de nosso existir, pois não temos uma vaga noção do que seja esse mesmo mistério da escuridão e da sombra que nos acompanha. Aquela alma representa os nossos anseios, dúvidas e questionamentos. Mas algo ela fez, preferiu caminhar na escuridão, o que não diz respeito ao mundo dos vícios, erros, condutas inadequadas e atos destrutivos, apenas a incerteza de se lançar naquilo que é obscuro e de difícil compreensão.
Com certeza essa alma que vagava no mundo espiritual já foi um ser humano com desejos, interesses, anseios entre outros sentimentos como qualquer outro humano. Não porque ser uma alma signifique perder a dimensão corpórea e psíquica. Livrá-la de suas memórias tão humanas seria um erro muito grave, pois havendo uma consciência que foi retirada da alma, não se concebe a falta de sensibilidade tão humana. Afinal uma alma também sente emoções, ou não? Foi essa justamente o que a alma errante perguntou a si mesma quando se encontrava diante das duas escolhas, ou seja, como se sentiria se escolhesse o caminho da escuridão ou da iluminação? Diante dessa pergunta a nossa alma resolve se entregar e assumir os riscos de caminhar através da obscuridade. A alma fez justamente o que cada um de nós deveria fazer ao longo de nossa existência. Tememos nos entregar à vida e sermos responsáveis por nossas escolhas e nascemos justamente em condição liberdade, o que acarreta em angústia com relação à queda no abismo que justamente é essa mesma angústia existencial. Voltando à trajetória de nossa alma errante, percebemos como enfrentar os riscos da escuridão corresponde a um desafio que alma em questão assumiu.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pensamentos Eternos em Minha Mente: dia 09/08/2011

Esses dias foram difíceis e complicados. Não por ter ocorrido algum desastre, morte ou quaisquer circunstância que torne a vida mais conflituosa. O que torna esses dias complicados é o fato de que em nenhuma outra fase da vida o sentimento de solidão, angústia e pesar foram tão sentidos e vivenciados intensamente como agora. Anteriormente, a base de segurança em que nos sustentávamos possibilitava uma “ilusão” com relação ao que era a vida familiar como conhecíamos. Nesse momento em que nos encontramos, não há mais a base segura em que sentíamos alívio, conforto e segurança. A “redoma” que nos protegia fora rompida e destruída, pois com a perda da pessoa que nos sustentava em todos os sentidos, no caso meu pai, uma nova forma de encarar a lidar com a vida surgiu. Com este mesmo surgimento de uma vida mais ampla e complexa, a nossa família não conseguiu mais recuperar o seu centro o eixo de sustentação.
Eu ainda não consegui trilhar meu caminho ou trajetória da forma com havia planejado, pois a morte surgiu repentinamente em minha vida. Não esperamos a morte nem a desejamos, somente quando a perdemos é que realmente passamos a ter noção do quanto somos frágeis e pequenos diante da imensidão inexplorável do universo da existência. Eu projetei para minha vida um futuro brilhante e repleto de objetivos e planos, além de conquistas. Mas o fator tempo não possibilitou tal consecução de meus planos. Os valores que tenho acerca de minha vida passam por um processo de revisão sempre que me deparo com situações com as quais não havia lidado anteriormente. Perco-me em um “labirinto” de dificuldades e de conflitos existenciais. As encruzilhadas do existir tornaram-me um sujeito duvidoso e inseguro. Não tenho conhecimento acerca do caminho que devo percorrer. Acabei percebendo que a vida é assim mesmo: uma encruzilhada e um caminho longo que percorremos, mas não sabemos onde vamos chegar. A única certeza que temos e que tenho é que passaremos por essa vida com um pequeno “grão de areia” e que apenas os nossos feitos serão deixados ao longo da vida. A perda de algo ou de alguém traz marcas profundas na vida de outra pessoa. No meu caso, as marcas deixadas foram e ainda são muito profundas, o que torna minha trajetória mais difícil de ser realizada. Uma couraça fora constituída em meu ser, mas preciso romper com a mesma, pois se não assumir meu próprio existir não conseguirei sair da situação em que me encontro desde a morte de meu pai.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Fogo vivo de uma vida:

A vida queima como um pavio de pólvora
Esse mesmo pavio possui um fogo vivo
Esse mesmo fogo vivo ascende e apaga
Apaga, pois tudo tem seu fim
Assim, a vida tem um começo e um fim
Mesmo com o risco de se apagar o pavio
Temos que aproveitar cada instante
Assim como se fosse o último ascender do pavio de pólvora
O fogo queima em nossa existência, mas um dia irá se apagar
Mas podemos reascender o fogo em cada instante
Mesmo com as pequenas e singelas ações, atitudes e gestos
Não deixe o fogo vivo apagar sem que ao menos você não tenha feito reascender o fogo
Faça tudo o que você não havia feito antes
Escolha caminhos que não foram traçadas ainda
E, acima de tudo, faça brotar outros pavios de pólvora para que o fogo não se apague
Seja feliz e sempre faça valer a pena cada instante de sua vida e existência

sábado, 11 de junho de 2011

Flores de Fogo:

Jardim cheio de rosas
Rosas vermelhas
Vermelhas como o fogo ígneo
Ígneo como a chama que nasce dos olhos
Olhos com que você me olha
As rosas ardem em brasas e fogo
Viram um presente para teus olhos
Cheio do mais ígneo fogo
Sempre haverá rosas no jardim
O fogo refaz as flores
E você ainda olha essas rosas com outros olhos
Espero que as rosas do jardim onde você passe
sejam vermelhas e de fogo que vc ve com outros olhos

Dia 11-06-11

pessoas que conhecemos:

o mundo é grande
cheio de pessoas singulares
o que eu sinto outra pessoa sente de outra forma
mas o que nos liga uns aos outros
é o sentimento
que brota das relações
então,
somos únicos, mas estamos ligados
somos ao mesmo tempo um só
mesmo estando longe
estamos ligados uns aos outros
dedico esse poema a quem está longe, mas ao mesmo tempo perto